Professor maranhense desenvolve protótipo esmagador de coco babaçu

Intitulado de “Protótipo de esmagadora e de usinas piloto para produção de biodiesel de óleo de babaçu”, o projeto de autoria do professor Hamilton Jesus Santos Almeida, do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), será realizado em parceria com outros órgãos do Estado e com as empresas JETBIO e Scott Tech, ambas situadas em São Paulo.

O objetivo, conforme o pesquisador, é criar unidades de quebra mecânica do coco babaçu para otimizar a produção de amêndoa em escala industrial em propriedades agrícolas, bem como elaborar unidades de esmagamento de sementes e uma usina piloto de baixo custo para refino do óleo e obtenção do biodiesel, através do processo de transesterificação (separação da glicerina do óleo vegetal). A usina e as unidades experimentais devem ser implantadas na Fazenda Escola de São Luís no segundo semestre de 2009.

O professor Hamilton explica que, até recentemente, a importância do babaçu baseava-se, exclusivamente, no uso da amêndoa como fonte de óleo e torta, a partir de uma exploração arcaica e manual. “Este projeto surge como uma alternativa viável e capaz de mudar a realidade. O ideal é que as quebradeiras de coco apenas coletem o babaçu. O restante do trabalho ficará por conta da esmagadora, evitando, assim, a ocorrência de acidentes e o baixo aproveitamento do fruto”.

Hamilton Almeida diz ainda que o projeto vai facilitar o trabalho das pessoas do campo e não tirar o emprego delas. Segundo o pesquisador, em média, com o uso da quebra manual do coco, os trabalhadores produzem 1 Kg por hora. A difusão de tecnologia através do desenvolvimento de protótipos de unidades de quebra mecânica vai transformar a economia do babaçu num projeto de industrialização dinâmica e auto-sustentável, resultando no aumento da renda familiar e na conseqüente melhoria da qualidade de vida daqueles trabalhadores.

Com tantos benefícios, a relevância do projeto ultrapassa a região do semi-árido maranhense, onde cerca de trezentas mil pessoas vivem da extração do coco do babaçu. “Os resultados deste trabalho podem contribuir com o desenvolvimento econômico, social e ambiental de outros Estados, como Piauí, Tocantins, Mato Grosso e Goiás, assim como alguns países da América do Sul, nos quais o babaçu também é explorado comercialmente”, aposta Hamilton Almeida.

O referido projeto foi classificado, em 2008, entre os melhores trabalhos sobre biocombustível inscritos no Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia. Já em março deste ano, por ocasião do Workshop do Programa Recuperação Ambiental e Melhoria da Qualidade de Vida da Bacia do Bacanga, realizado em São Luís, o projeto foi encaminhado para ser submetido à apreciação do Banco Mundial, visando aprovação de financiamento.

Se as quebradeiras ganham pouco fazendo o que fazem, imagine agora.

Fonte: Portal O Dia


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